Nos instante em que movimento minha fala, distraio meus pensamentos rasos, e me aprofundo nas palavras fortes que dão revelação a pauta esquecida nos meus passos ociosos. É que hoje o dia foi assim, vago... Remetido num profundo ócio, e mesmo assim tenho um instante de consciência que me leva a entender que, mesmo inerte tive alguns passos de movimento.
O que pretendo é encontrar o sentido de cada hora, é romper com meu fajuto orgulho, que me faz irascível... Quantas vezes me pego dizendo que não quero ver, porém meus olhos não desviam o olhar da porta esperando a chegada do ser ausente, que ainda faz presença em todo o tempo. Logo digo que minha inquietação é apascentada no sopro vital, e parece que eu me esqueço de tanta coisa, esqueço da vida, esqueço do mundo, ainda ciente de estar nele, estampo na face esse enigma, talvez tudo fruto desse meu interesse pelos avessos, pelos contrários, pelos sórdidos (deixando claro que não quero me deter as sujeiras de tal), entretanto me apavoro, com essa demasia de moralidade, com essas censuras do frágil, do feio, do triste, afinal de contas qual instância os difere dos outros indivíduos? Que anuncio de caráter contrário se levanta contra eles? Pretendo ainda entender. Ou não. Por isso ouso, transcender a superfície desses.
Entendo que vale apena fazer concreto nossos sentimentos, sem perpassar nossos limites, compreendendo o necessário, o exigido e o deixado no ar, e o esquecido também, sem deletar dos nossos estudos o que repudiamos, porque o repudiado tem poder de humanizar, tem poder de construir, na precariedade dos outros, encontramos uma fonte de crescimento para nós.
E nessa velocidade sigo por aqui, por lá, vendo o que não percebo dizendo o que pretendo saber, me distraindo com os hipócritas, ao tempo que os critico agrego o jeito brasileiro de rir das tragédias, eu paro por aqui, esta maneira de ser, mas, de relacionar o indizível, com o costumeiro, fazendo a palavra força que me dá sentido.
Bruna Mayara
domingo, 27 de setembro de 2009
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